{"id":872,"date":"2022-08-22T10:28:33","date_gmt":"2022-08-22T13:28:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/?p=872"},"modified":"2022-11-17T18:08:57","modified_gmt":"2022-11-17T20:08:57","slug":"violencia-psicologica-nos-relacionamentos-afetivos-heterossexuais-como-a-violencia-aplicada-contra-a-mulher-influencia-no-ambiente-familiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/artigos\/violencia-psicologica-nos-relacionamentos-afetivos-heterossexuais-como-a-violencia-aplicada-contra-a-mulher-influencia-no-ambiente-familiar.html","title":{"rendered":"VIOL\u00caNCIA PSICOL\u00d3GICA NOS RELACIONAMENTOS AFETIVOS HETEROSSEXUAIS: COMO A VIOL\u00caNCIA APLICADA CONTRA A MULHER INFLUENCIA NO AMBIENTE FAMILIAR?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pretende-se nesse trabalho abordar a viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica sofrida pela mulher, nos relacionamentos afetivos heterossexuais e como esse cen\u00e1rio influencia no ambiente familiar. Com objetivo de compreender o impacto que essa viol\u00eancia tem na vida das fam\u00edlias, analisamos como o contexto sociocultural, interfere e contribui para a viol\u00eancia nas uni\u00f5es heterossexuais, em que situa\u00e7\u00f5es ela est\u00e1 presente e porque as v\u00edtimas n\u00e3o denunciam seus agressores, quais s\u00e3o os impactos ps\u00edquicos nos filhos de mulher v\u00edtimas de viol\u00eancia e o que fazer para prevenir tal sofrimento. Para responder nossos questionamentos realizamos levantamento bibliogr\u00e1fico da literatura, tendo como base o que j\u00e1 foi escrito na \u00e1rea. Como principais resultados encontramos que, a ideia de superioridade de g\u00eanero, a sociedade patriarcal vigente no Brasil, os aspectos religiosos, sociais e culturais influenciam na naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra mulher e que filhos de m\u00e3es v\u00edtimas de viol\u00eancia tem seu desenvolvimento cognitivo, emocional\/psicol\u00f3gico e social, comprometido. Conclui-se que a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, seguran\u00e7a p\u00fablica e social e que devemos voltar o olhar para o fen\u00f4meno e tornar vis\u00edvel o invis\u00edvel, no esfor\u00e7o de romper e desnaturalizar a hist\u00f3ria de viol\u00eancia no contexto familiar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: viol\u00eancia contra a mulher, viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica, rela\u00e7\u00e3o intrafamiliar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Minayo (2006), historicamente, a viol\u00eancia atinge todos os setores da sociedade e tem sido considerada um problema de sa\u00fade p\u00fablica que pode gerar consequ\u00eancias inestim\u00e1veis \u00e0 sa\u00fade como um todo, podendo inclusive levar a morte.&nbsp; Nesse sentido, visando compreender o impacto da viol\u00eancia sobre a sa\u00fade, se faz necess\u00e1ria, uma discuss\u00e3o conjunta dos pro\u00adblemas relacionados a sa\u00fade, condi\u00e7\u00f5es\/ situa\u00e7\u00f5es e estilo de vida. Esse fen\u00f4meno tem causas m\u00faltiplas. O termo viol\u00eancia \u00e9 utilizado em muitos contextos sociais, e \u00e9 empregado tanto para homic\u00eddio como para maus tratos emocionais, verbais e psicol\u00f3gicos (TARTARI; REZENDE, 2006). Segundo defini\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) viol\u00eancia \u00e9 entendida como:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQualquer conduta que cause dano emocional e diminui\u00e7\u00e3o da autoestima ou que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar as a\u00e7\u00f5es, comportamentos, cren\u00e7as e decis\u00f5es, mediante amea\u00e7a, constrangimento, persegui\u00e7\u00e3o contumaz, insulto, chantagem, ridiculariza\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade psicol\u00f3gica e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Minayo (2004), a quest\u00e3o da viol\u00eancia se torna mais ligada \u00e0 sa\u00fade por estar associada \u00e0 qualidade de vida, pelas les\u00f5es f\u00edsicas, ps\u00edquicas e morais que acarreta, pelas exig\u00eancias de aten\u00e7\u00e3o e cuidados dos servi\u00e7os m\u00e9dico-hospitalares e tamb\u00e9m, pela concep\u00e7\u00e3o ampliada do conceito de sa\u00fade. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), afirma que, sa\u00fade seria o completo bem-estar f\u00edsico, mental, social e espiritual dos indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, a viol\u00eancia ocorre no ambiente familiar e \u00e9 cometida por pessoas \u00edntimas, entre elas est\u00e3o: maridos, am\u00e1sios, amantes, namorados atuais, ou, at\u00e9, ex-namorados ou ex-c\u00f4njuges (SILVA; COELHO; CAPONNI, 2007, p. 96).&nbsp; A esse tipo de viol\u00eancia chamamos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ela est\u00e1 de tal maneira arraigada na vida social de determinadas fam\u00edlias que passa a ser percebida como uma situa\u00e7\u00e3o normal, que vem mascarada pelo ci\u00fame, controle, humilha\u00e7\u00f5es, ironias e ofensas (TARTARI; REZENDE, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os tipos de viol\u00eancia dom\u00e9stica destacamos a viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Hirigoyen (2006, p. 28) define a viol\u00eancia psicol\u00f3gica como \u201cuma s\u00e9rie de atitudes e de express\u00f5es que visam a aviltar ou negar a maneira de ser de uma outra pessoa\u201d. O mesmo autor categoriza a viol\u00eancia psicol\u00f3gica em formas distintas de express\u00e3o \u201ccontrole; isolamento; ci\u00fame patol\u00f3gico; ass\u00e9dio; aviltamento; humilha\u00e7\u00e3o; intimida\u00e7\u00e3o; indiferen\u00e7a \u00e0s demandas afetivas e amea\u00e7as\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sem a presen\u00e7a do ato amedrontador atrav\u00e9s de amea\u00e7as existe a \u201cpossibilidade de\u201d, j\u00e1 que \u201ca antecipa\u00e7\u00e3o de um golpe pode fazer tanto mal ao psiquismo quanto o golpe realmente dado, que \u00e9 refor\u00e7ado pela incerteza em que a pessoa \u00e9 mantida, sob a realidade da amea\u00e7a\u201d (HIRIGOYEN, 2006, p. 41).<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia psicol\u00f3gica \u00e9 um tipo de tortura, \u00e9 uma&nbsp;viol\u00eancia&nbsp;que ocorre sempre em uma rela\u00e7\u00e3o desigual de poder onde o agressor exerce autoridade sobre a v\u00edtima impetrando-lhe maus tratos mentais e psicol\u00f3gicos de forma cont\u00ednua e intencional, que causam&nbsp;danos irrevers\u00edveis \u00e0 sa\u00fade (SILVA; COELHO; CAPONNI, 2007). Inicialmente a viol\u00eancia se manifesta de forma lenta e silenciosa, progredindo em intensidade e consequ\u00eancia. O agressor em suas primeiras investidas, n\u00e3o agride fisicamente, mas parte para o cerceamento da liberdade individual da v\u00edtima, para o constrangimento e humilha\u00e7\u00e3o. Como mostra Miller (2006, p. 16), \u201co agressor antes de poder ferir fisicamente sua companheira, precisa baixar sua autoestima de tal forma que ela tolere as agress\u00f5es<em>\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de suma import\u00e2ncia desenvolvermos estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia, levando em considera\u00e7\u00e3o o fato da viol\u00eancia psicol\u00f3gica ser o ponto inicial que deflagra toda viol\u00eancia dom\u00e9stica. Devemos encarar como uma estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia em geral, a\u00e7\u00f5es que previnam a viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Uma pessoa que cresceu numa fam\u00edlia violenta pode repetir o padr\u00e3o de comportamento violento nas situa\u00e7\u00f5es que enfrentar\u00e1 na vida.&nbsp; \u00c9 imprescind\u00edvel destacar que a viol\u00eancia psicol\u00f3gica n\u00e3o afeta somente a v\u00edtima, ela atinge a todos que presenciam ou convivem com a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, principalmente os filhos que testemunham a viol\u00eancia psicol\u00f3gica entre os pais e podem passar a repetir tal atitude (SILVA; COELHO; CAPONNI, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas crian\u00e7as sofrem preju\u00edzos de v\u00e1rias ordens. Segundo Cavalcante e Almeida (2015), mesmo os filhos n\u00e3o sendo as v\u00edtimas diretas da viol\u00eancia conjugal eles podem sofrer v\u00e1rias consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas, sociais e at\u00e9 mesmo f\u00edsicas. Mas como compreender o impacto da viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica aplicada contra a mulher no ambiente familiar?<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo como objetivo responder nosso problema de pesquisa, buscaremos analisar como o contexto sociocultural interfere nas rela\u00e7\u00f5es e como contribui para a viol\u00eancia nas uni\u00f5es heterossexuais, bem como identificar as situa\u00e7\u00f5es onde essa viol\u00eancia est\u00e1 presente, quais suas consequ\u00eancias e porque as v\u00edtimas n\u00e3o denunciam seus agressores, verificar ainda as manifesta\u00e7\u00f5es de sofrimento ps\u00edquico demonstradas pelos filhos, como consequ\u00eancia da viol\u00eancia sofrida pela mulher e por fim propor reflex\u00f5es que poder\u00e3o auxiliar na preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFERENCIAL TE\u00d3RICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viol\u00eancia contra mulher: um contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher vem de tempos muito remotos, desde as sociedades primitivas. \u00c9 um problema social que atinge mulheres de todas as culturas, camadas sociais, religi\u00f5es e etnias. Por preconceito as mulheres eram consideradas inferiores aos homens, biol\u00f3gica e intelectualmente, a elas era dado pela sociedade e pela igreja o direito de atuar na inst\u00e2ncia privada cuidando dos filhos e afazeres dom\u00e9sticos, enquanto que aos homens era permitida a atua\u00e7\u00e3o na esfera p\u00fablica associada \u00e0 liberdade, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 pol\u00edtica (SILVA, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 baseada numa vis\u00e3o biol\u00f3gica e social que \u00e9 determinante para desigualdade de g\u00eanero, favorecendo uma rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica, onde se valoriza um sexo em detrimento do outro (PINAFI, 2007). A viol\u00eancia de g\u00eanero abrange as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, que s\u00e3o baseadas na estrutura de poder e de posse, espec\u00edficas do poder patriarcal exercido pelos homens e resultado da subordina\u00e7\u00e3o vivida pelas mulheres (MOREIRA; BORIS; VEN\u00c2NCIO, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Gr\u00e9cia Antiga eram muitas as diferen\u00e7as entre homens e mulheres, elas n\u00e3o tinham direitos jur\u00eddicos e nem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal, os estudos n\u00e3o lhes eram permitidos havia um n\u00famero reduzido de mulheres alfabetizadas, eram exclu\u00eddas social, jur\u00eddica e politicamente, ficando no mesmo patamar das crian\u00e7as e dos escravos. Tinham seus direitos negados, eram meramente procriadoras, n\u00e3o podiam aparecer em p\u00fablico sozinhas permanecendo encerradas dentro de casa. O modelo de mulher ateniense \u00e9 muito conhecido, tratava-se da mulher submissa ao marido, cuidadora dos filhos e da casa. Esse modelo de boa mulher, exemplo de subservi\u00eancia foi aceito pela igreja cat\u00f3lica ap\u00f3s a decad\u00eancia romana. O cristianismo ganhou for\u00e7a e na idade m\u00e9dia a igreja influenciou muito a vida dos fi\u00e9is em especial no comportamento feminino. A mulher tinha duas escolhas na vida, poderia casar-se com um homem escolhido por sua fam\u00edlia ou adentrar a vida religiosa. A sua obriga\u00e7\u00e3o era aprender a desempenhar atividades dom\u00e9sticas com a finalidade de agradar ao marido (LEITE; NORONHA, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Pinafi (2007), a cultura religiosa Judaico-Crist\u00e3 retratou a mulher como pecadora e culpada, respons\u00e1vel pelas vicissitudes do homem e por isso lhe devia obedi\u00eancia e submiss\u00e3o.&nbsp; A medicina por sua vez pregou at\u00e9 o s\u00e9culo XVI que existia apenas um corpo adequado, o masculino. Dominou por muito tempo o modelo de sexo \u00fanico, o homem por ter nascido com p\u00eanis.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, aos homens cabiam atividades ligadas as artes, filosofia e pol\u00edtica, enquanto que as mulheres se ocupavam dos cuidados com a prole e com a subsist\u00eancia do homem. Esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789) quando as mulheres lutaram junto aos homens por acreditarem que os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade eram extensivos a elas (PINAFI, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XIX acontece a solidifica\u00e7\u00e3o do regime capitalista e com ele ocorrem mudan\u00e7as nos modos de produ\u00e7\u00e3o. Isso levou um grande n\u00famero de mulheres \u00e0s f\u00e1bricas. A mulher finalmente ingressa no espa\u00e7o p\u00fablico e passa a combater a ideia de inferioridade perante o sexo masculino, afirmam ser t\u00e3o capazes quanto eles (PINAFI, 2007). Assim come\u00e7a a hist\u00f3ria do movimento feminista que pode ser definido:<\/p>\n\n\n\n<p>Grosso modo, pode-se dizer que ele corresponde \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o de eliminar as discrimina\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas e culturais de que a mulher \u00e9 v\u00edtima. N\u00e3o seria equivocado afirmar que feminismo \u00e9 um conjunto de no\u00e7\u00f5es que define a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos como uma rela\u00e7\u00e3o de assimetria, constru\u00edda social e culturalmente, e na qual o feminismo \u00e9 o lugar e o atributo da inferioridade (GREGORI, 1993, p. 15).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo Pinafi (2007), as feministas criam o conceito de g\u00eanero possibilitando entender o bin\u00f4mio domina\u00e7\u00e3o-explora\u00e7\u00e3o estabelecido ao longo do tempo. A viol\u00eancia contra mulher tem na sua base um estreito elo com as categorias de g\u00eanero, classes, ra\u00e7a\/etnia e suas rela\u00e7\u00f5es de poder, rela\u00e7\u00f5es estas, que se estabelecem de forma patriarcal na sociedade brasileira onde os homens tem o direito sobre a vida de suas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>De todos os movimentos sociais da metade do s\u00e9culo XX, o movimento feminista foi o que causou mudan\u00e7as no que se refere a diferen\u00e7as de direitos entre homens e mulheres. Gra\u00e7as ao movimento feminista a sociedade passa a compreender que as mulheres n\u00e3o devem ser mais oprimidas, num modelo social repressor, discriminat\u00f3rio e preconceituoso onde imperava o androcentrismo. A rela\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero masculino devia ser repensada (SILVA, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Pinafi (2007), em 1979 por ocasi\u00e3o da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, criou-se a Conven\u00e7\u00e3o para a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher (CEDAW), conhecida como a Lei Internacional dos Direitos da Mulher, que visou a promo\u00e7\u00e3o dos direitos da mulher na busca da igualdade de g\u00eanero, bem como a repress\u00e3o de quaisquer discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, na d\u00e9cada de 70, surgem os primeiros movimentos feministas organizados e politicamente engajados na defesa dos direitos das mulheres. A pol\u00edtica sexista reinante na \u00e9poca deixava impunes muitos assassinos de mulheres com a desculpa de agirem em defesa da honra. Um caso muito famoso foi o assassinato de atriz \u00c2ngela Diniz pelo seu ex-marido Raul Fernando do Amaral Street (Doca). \u00c2ngela foi morta a tiros, seu marido foi levado e a julgamento e absolvido com o argumento de ter agido em \u201cleg\u00edtima defesa da honra\u201d. O caso teve ampla repercuss\u00e3o levando a uma movimenta\u00e7\u00e3o de mulheres em torno do tema \u201cQuem ama n\u00e3o mata\u201d. A partir do engajamento das mulheres ao movimento feminista contra esse tipo de viol\u00eancia surge no Rio de Janeiro em 1981, o SOS-Mulher, espa\u00e7o destinado ao atendimento de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. O espa\u00e7o tamb\u00e9m propiciava a reflex\u00e3o em busca de mudan\u00e7a na vida dessas mulheres.&nbsp; O SOS-Mulher foi estendido a outras capitais do pa\u00eds (PINAFI, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Pinafi (2007), a parceria do Estado com os movimentos de mulheres e feministas para cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas em defesa da mulher, propiciou o surgimento do Conselho Estadual da Condi\u00e7\u00e3o Feminina em 1983, na ratifica\u00e7\u00e3o pelo Brasil da CEDAW em 1984, em 1985 foi implantado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A cria\u00e7\u00e3o das Delegacias Especializadas ao Atendimentos \u00e0 Mulher vem ratificar o compromisso do Brasil com a CEDAW, de prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher voltou a ser tema de discuss\u00e3o em 1993 com a Declara\u00e7\u00e3o de Viena.&nbsp; No documento foram considerados os v\u00e1rios graus e manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia incluindo as resultantes de preconceito cultural e tr\u00e1fico de pessoas. Um grande avan\u00e7o desta declara\u00e7\u00e3o foi a supress\u00e3o da viol\u00eancia privada como crime comum afirmando que a viol\u00eancia contra a mulher infringe os Direitos Humanos e \u00e9 realizada principalmente no ambiente dom\u00e9stico. Em 1994, a Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos \u2013 OEA, aprovou a Conven\u00e7\u00e3o Interamericana para prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia contra a mulher, conhecida como Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1 que foi ratificada pelo Brasil em 1995 (PINAFI, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente em 2006 foi criada a Lei N\u00b0 11.340, tamb\u00e9m conhecida como \u201cLei Maria da Penha\u201d. Essa Lei criou mecanismos para reprimir a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, determinando medidas para preven\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia (BRASIL, 2006).&nbsp; A partir da Lei as mulheres obtiveram ganhos no \u00e2mbito jur\u00eddico e social. O sofrimento de uma mulher associado as lutas que travou para conquistar seus direitos e mudar sua situa\u00e7\u00e3o e de outras fam\u00edlias, que atrav\u00e9s de sua viv\u00eancia e persist\u00eancia, conseguiu a cria\u00e7\u00e3o de uma lei espec\u00edfica que atende mulheres que foram v\u00edtimas de alguma agress\u00e3o ou se sentem amea\u00e7adas pelos parceiros (LEITE; NORONHA, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Lei Maria da Penha prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de Juizados de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher (JUDFM) para o atendimento de demandas na esfera familiar e hoje somente algumas capitais e cidades brasileiras contam com este servi\u00e7o. A Lei prop\u00f5e que as Varas Criminais de Fam\u00edlia j\u00e1 existentes processem esses casos\u201d (SILVA, 2010. p. 116).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maria da Penha, cearense, m\u00e3e, que durante o tempo em que foi casada sofreu agress\u00f5es de todos os tipos e n\u00e3o teve ajuda das autoridades pois n\u00e3o havia previs\u00e3o legal para casos de maus tratos at\u00e9 que um dia seu marido tentou mat\u00e1-la, n\u00e3o obtendo \u00eaxito, mas deixando muitas sequelas, psicol\u00f3gicas e f\u00edsicas. Ela perdeu o movimento das pernas ap\u00f3s ser baleada pelo esposo. Esse momento doloroso marcou o in\u00edcio da sua luta por mudan\u00e7as efetivas no que se refere a prote\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres. Buscou o apoio do Estado para defender a mulher e garantir a ela os seus direitos, sua seguran\u00e7a e integridade. A partir da cria\u00e7\u00e3o da Lei muitas transforma\u00e7\u00f5es aconteceram, as autoridades e a justi\u00e7a brasileira assim como toda a sociedade passaram a atentar para os casos de viol\u00eancia cometidos contra a mulher, as pr\u00e1ticas homicidas diminu\u00edram, muitos abusos deixaram de ocorrer e muitos agressores foram punidos. A viol\u00eancia contra a mulher deixou de ser normal e passou a ser crime (LEITE; NORONHA, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>METODOLOGIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atendendo ao objetivo do presente trabalho o tipo de pesquisa utilizada \u00e9 a pesquisa descritiva com abordagem qualitativa. Segundo Gil (2002, p.42), \u201cas pesquisas descritivas t\u00eam como finalidade principal a descri\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas de determinada popula\u00e7\u00e3o ou fen\u00f4meno, ou o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es entre vari\u00e1veis\u201d. Em se tratando dos procedimentos t\u00e9cnicos utilizados fizemos um levantamento bibliogr\u00e1fico da literatura tendo como base material j\u00e1 elaborado, composto principalmente por livros e artigos cient\u00edficos, divulgados entre 1993 e 2019 (GIL, 2002). Das Bases de Dados pesquisadas, BVS-PSI, SciELO, usando os descritores: viol\u00eancia contra a mulher, viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica, rela\u00e7\u00e3o intrafamiliar, encontramos 78 textos dos quais 15 foram considerados relevantes para responder ao objetivo da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AN\u00c1LISE E DISCUSS\u00c3O DOS RESULTADOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os artigos selecionados para esta an\u00e1lise foram em sua maioria estudos qualitativos realizados por meio de entrevistas semiestruturadas, entre os anos de 2006 a 2019. Os estudos abordam a quest\u00e3o da viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica nas rela\u00e7\u00f5es heterossexuais, onde a mulher \u00e9 v\u00edtima de seu parceiro levando em considera\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e seu entorno e como caracterizam-se os contextos psicologicamente violentos. Ainda apresentam os tipos de viol\u00eancia intrafamiliar e prop\u00f5em m\u00e9todos de interven\u00e7\u00e3o. Abordam os fatores determinantes nas rela\u00e7\u00f5es agressivo-abusivas que contribuem para que as mulheres permane\u00e7am nessas rela\u00e7\u00f5es e n\u00e3o denunciem seus parceiros. Apresentam tamb\u00e9m as consequ\u00eancias nas caracter\u00edsticas emocionais dos filhos expostos, direta ou indiretamente, a viol\u00eancia conjugal. E por fim, prop\u00f5e reflex\u00f5es sobre poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia dom\u00e9stica praticada contra mulher.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contexto sociocultural e viol\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es heterossexuais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme os artigos estudados, verificou-se que quase todos apresentam a ideia de superioridade de g\u00eanero, esta rela\u00e7\u00e3o de desigualdade acrescida a quest\u00e3o patriarcal vigente no Brasil, unido ao sentimento de culpa implantado historicamente na psique das mulheres, vem cooperar com a perman\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es de poder e consequentemente da viol\u00eancia. A viol\u00eancia praticada por parceiros \u00edntimos contra a mulher \u00e9 um fen\u00f4meno relativamente comum em v\u00e1rias culturas, sendo relacionada n\u00e3o apenas com as quest\u00f5es de g\u00eanero na sociedade, mas tamb\u00e9m com a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos das mulheres.&nbsp; Considerando estes aspectos essa categoria foi constru\u00edda a partir de estudos de Casique; Furegatto (2006), Colossi; Falcke (2013), Machado et al (2014), Moreira; Borges; Ven\u00e2ncio (2011), Leite e Noronha (2015), Panifi (2007) e Silva (2007, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Silva (2010), a tradi\u00e7\u00e3o cultural, seja por influ\u00eancias religiosas ou por costumes transmitidos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, contribui para que os homens desenvolvam sentimentos de superioridade sobre as mulheres e valida a pr\u00e1tica da viol\u00eancia contra as companheiras. A mulher sofre viol\u00eancia dom\u00e9stica, especialmente por conta das constru\u00e7\u00f5es de g\u00eanero vinculadas \u00e0s desigualdades, que validam as agress\u00f5es e os abusos cometidos contra elas (COLOSSI; FALCKE, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Leite e Noronha (2015) em seu estudo afirmam que os fatores sociais e econ\u00f4micos n\u00e3o s\u00e3o os que mais influenciam a pr\u00e1tica da viol\u00eancia. O consumo de drogas e \u00e1lcool, a pobreza, o tr\u00e1fico e at\u00e9 o ci\u00fame aparecem como as principais causas de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher. Segundo os autores, as mulheres de baixa renda e baixa escolaridade est\u00e3o mais sujeitas a sofrer viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;S\u00e3o motivos para manuten\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher as rela\u00e7\u00f5es de poder, hist\u00f3ricas e culturais. Muitas mulheres foram ensinadas a aceitar como natural o uso de viol\u00eancia na solu\u00e7\u00e3o dos conflitos nas rela\u00e7\u00f5es conjugais.&nbsp; O estudo de Colossi e Falcker (2013), realizado com tr\u00eas casais heterossexuais, residentes no Rio Grande do Sul, evidenciou que as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia praticadas entre eles era heran\u00e7a de um modelo de rela\u00e7\u00e3o aprendido com suas fam\u00edlias de origem onde o pai dava as ordens e a m\u00e3e obedecia sem questionar. Rosa uma das participantes do estudo relata que sua fam\u00edlia de origem lhe ensinou a colocar \u201cpanos quentes\u201d tentando minimizar ou encerrar discuss\u00f5es e conflitos. Ainda segundo os autores do estudo, a n\u00e3o verbaliza\u00e7\u00e3o dos desagrados, a dificuldade de expressar sentimentos, o hist\u00f3rico familiar de viol\u00eancia e a assimetria entre os casais, homem forte e mulher fr\u00e1gil, s\u00e3o fatores determinantes para a din\u00e2mica de viol\u00eancia conjugal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica, como ocorre? Quais suas consequ\u00eancias? Porque as v\u00edtimas n\u00e3o denunciam seus agressores?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Hirigoyen (2006, p. 28), viol\u00eancia psicol\u00f3gica define-se como \u201cuma serie de atitudes e de express\u00f5es que visam a aviltar ou negar a maneira de ser de uma pessoa\u201d. Ainda segundo o autor, a viol\u00eancia psicol\u00f3gica tende a ocorrer de forma sutil, come\u00e7ando com um olhar de reprova\u00e7\u00e3o, palavras de desprezo, humilha\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as, gritos, insultos, que geram consequ\u00eancias devastadoras e deixam sequelas para o resto da vida. Viol\u00eancia psicol\u00f3gica segundo Silva (2007), se d\u00e1 quando substitu\u00edmos o di\u00e1logo na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos por outra maneira de comunicar algo que a verbaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o maneiras de expressar a viol\u00eancia psicol\u00f3gica, o controle, o isolamento, o ci\u00fame, o ass\u00e9dio, a humilha\u00e7\u00e3o, a intimida\u00e7\u00e3o, a indiferen\u00e7a as quest\u00f5es afetivas e as amea\u00e7as (HIRIGOYEN, 2006). No estudo realizado por Moreira, Boris e Ven\u00e2ncio (2011), referente a viol\u00eancia moral e psicol\u00f3gica contra a mulher, em levantamento feito na Delegacia de Defesa da Mulher na cidade de Fortaleza no per\u00edodo de janeiro de 2005 a maio de 2007, foram procedidas 10.574 notifica\u00e7\u00f5es, incluindo casos de amea\u00e7as, injuria, difama\u00e7\u00e3o e cal\u00fania. A viol\u00eancia psicol\u00f3gica ocorre atrav\u00e9s da rejei\u00e7\u00e3o de carinho, amea\u00e7as de espancamento, proibi\u00e7\u00e3o de trabalhar, ter amigos ou mesmo sair de casa sozinha, entre outros. O estudo realizado por Colossi e Falcke (2013), traz Rosa uma das participantes, que relata com m\u00e1goa as v\u00e1rias vezes que escutou do companheiro: \u201c<em>tu es uma mulher de merda<\/em>\u201d, referindo a humilha\u00e7\u00e3o e o aviltamento sofrido. Ana, outra participante do estudo, revela que seu marido n\u00e3o gosta de seus pais e de seus amigos, e que nas situa\u00e7\u00f5es de crise familiar ele fala: \u201c<em>Viste Ana? S\u00f3 temos a n\u00f3s dois. Aquilo que tu chamas de fam\u00edlia e amigos n\u00e3o se importam, n\u00e3o se envolvem. \u00c9 a mim que tens que dar valor! Presta aten\u00e7\u00e3o, viu<\/em>?\u201d revelando assim,&nbsp; tentativas de isolar Ana da sua fam\u00edlia e de seus amigos. Outra queixa de Ana \u00e9 a respeito da intimida\u00e7\u00e3o exercida pelo marido, ela relata: \u201c<em>Ele me patrola e eu fico sem rea\u00e7\u00e3o! Se as coisas n\u00e3o s\u00e3o como ele acha que devem ser ele fica brabo, fala alto, bate porta. E eu, fico com medo, acuada<\/em>!\u201d Tamb\u00e9m dentro de mesmo estudo, Julia, outra participante, diz que seu maior sofrimento \u00e9 a indiferen\u00e7a de seu companheiro \u00e0s suas demandas afetivas. \u201c<em>Ele demonstra franco desprezo, ignorando minhas necessidades afetivas<\/em>\u201d Julia aponta a dificuldade de n\u00e3o sentir-se aceita \u201c<em>desde sempre<\/em>\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Silva (2007), em estudo realizado no Centro de Atendimento a V\u00edtimas de Crime (CEVIC), que tem por objetivo prestar atendimento social, psicol\u00f3gico e jur\u00eddico as v\u00edtimas de crime na grande Florian\u00f3polis, entre os anos de 2000 e 2001 foram analisadas 1.242 fichas de pessoas atendidas no \u00d3rg\u00e3o, dentre as quais a esmagadora maioria eram v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, com \u00eanfase na viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Segundo as falas das mulheres atendidas no setor de psicologia do Centro, constatou-se que entre outras, as v\u00e1rias estrat\u00e9gias usadas pelos autores da viol\u00eancia psicol\u00f3gica para conseguir seu intento, est\u00e3o as chantagens, para que troquem de roupa, mudem a maquiagem, deixem de ir a um lugar combinado, desistam do programa com as amigas ou parentes. Com o passar do tempo a atitude dos agressores muda e a viol\u00eancia psicol\u00f3gica passa a ser verbal, com humilha\u00e7\u00f5es, privadas ou p\u00fablicas, exposi\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o vexat\u00f3ria como ridicularizar o corpo da v\u00edtima bem como cham\u00e1-la por apelidos que lhe causem sofrimento.&nbsp; Ainda segundo o autor, a viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica nem sempre \u00e9 identificada pelas v\u00edtimas. Ela pode n\u00e3o ser reconhecida por estar associada a fen\u00f4menos emocionais frequentemente agravados por fatores como o consumo de \u00e1lcool e drogas, a perda de emprego, problemas com os filhos, sofrimento ou morte de familiares e outras situa\u00e7\u00f5es de crise.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher v\u00edtima de viol\u00eancia psicol\u00f3gica tem a sa\u00fade comprometida, f\u00edsica e psicol\u00f3gica, como consequ\u00eancia dessa viol\u00eancia podem apresentar depress\u00e3o, ansiedade, dist\u00farbios alimentares e do sono, abuso de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, fobias e s\u00edndrome de p\u00e2nico, sentimentos de vergonha e culpa, baixa autoestima, dist\u00farbio de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, comportamento sexual inseguro e comportamentos suicidas. Al\u00e9m de dificuldade de se relacionar com os filhos por se sentirem depressivas, ansiosas e sem condi\u00e7\u00f5es de expressar cuidado e afeto (MOREIRA; BORGES; VEN\u00c2NCIO, 2011). Ainda conforme os autores, os maiores fatores que levam as mulheres a n\u00e3o denunciarem seus agressores s\u00e3o a aus\u00eancia de moradia pr\u00f3pria, depend\u00eancia financeira do parceiro, amea\u00e7as a sua vida e a dos filhos, a n\u00e3o compreens\u00e3o\/aceita\u00e7\u00e3o por parte da fam\u00edlia extensa, desconhecimento de redes de apoio governamental, inseguran\u00e7a de assumir a provis\u00e3o do lar e dos filhos e o estigma que internalizam de serem mulheres vulner\u00e1veis e dependentes, junto a vergonha e a culpa que sentem por tornar sua intimidade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sofrimento ps\u00edquico dos filhos como consequ\u00eancia da viol\u00eancia sofrida pela mulher<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por ser o ambiente familiar o primeiro grupo social de que fazemos parte, \u00e9 nele que aprendemos os papeis sociais que depois reproduziremos em outras corpora\u00e7\u00f5es que faremos parte ao longo da vida, tudo permeado pelo cen\u00e1rio sociocultural. Nesse sentido, as crian\u00e7as que presenciam viol\u00eancia dom\u00e9stica, podem aprender ser essa a melhor maneira de resolver conflitos sejam eles dom\u00e9sticos, na escola ou na vida afetiva na fase adulta.&nbsp; Entende-se que as crian\u00e7as expostas a um contexto de viol\u00eancia, sendo v\u00edtimas diretas ou n\u00e3o, est\u00e3o sendo treinadas para ter o mesmo comportamento. Mesmo sendo educados pela m\u00e3e, meninos podem aprender com a figura paterna a serem violentos e as meninas com a m\u00e3e, a serem submissas. Ou seja, ele bate\/manda, ela apanha\/obedece, as crian\u00e7as reproduzem, sem querer, os mesmos papeis. O lar violento n\u00e3o proporciona a crian\u00e7a um ambiente favor\u00e1vel ao seu desenvolvimento emocional, podendo prejudicar suas rela\u00e7\u00f5es, no ambiente escolar, e ao longo da vida adulta (VIANNA et al., 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Casique e Furegatto (2006), a viol\u00eancia contra a mulher, principalmente aquela exercida pelo parceiro, n\u00e3o s\u00f3 causa danos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos a ela, mas tamb\u00e9m oferece risco aos filhos. Presenciando viol\u00eancia na fam\u00edlia, aumenta a probabilidade de crian\u00e7as desenvolverem depress\u00e3o, ansiedade, transtornos de conduta e atrasos no desenvolvimento cognitivo, assim como aumenta o risco de se transformarem em v\u00edtimas de maus tratos ou futuros agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu estudo, Vianna et al. (2019) procurou compreender os impactos sobre os filhos de fam\u00edlias onde a mulher sofre viol\u00eancia dom\u00e9stica, para tanto foi realizada uma pesquisa no I Juizado de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica da cidade de Manaus no ano de 2014. Participaram da pesquisa 256 mulheres sendo que 188 tinham filhos. Segundo o resultado do trabalho alguns fatores podem prejudicar o desenvolvimento social e psicol\u00f3gico de crian\u00e7as que presenciam viol\u00eancia dom\u00e9stica, entre eles est\u00e3o a agressividade\/rebeldia, problemas emocionais, escolares, nervosismo\/medo, isolamento e outros. Ao final do estudo chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o de que o ambiente familiar violento acarreta sim problemas na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as seja em seu desenvolvimento intelectual, psicol\u00f3gico\/emocional e social, como ainda aumenta a possibilidade da crian\u00e7a naturalizar essa atitude violenta e repeti-la na vida adulta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entendendo a viol\u00eancia como parte intr\u00ednseca a vida social e como produ\u00e7\u00e3o social, ela \u00e9 resultado das rela\u00e7\u00f5es e dos conflitos de poder. Apesar da viol\u00eancia n\u00e3o ser considerada uma \u00e1rea da sa\u00fade, ela afeta, pois ocasiona les\u00f5es f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas, emocionais e at\u00e9 a morte. A viol\u00eancia intrafamiliar atinge uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o e repercute consideravelmente sobre a sa\u00fade das pessoas que a sofrem, por isso configura-se um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Trata-se de uma quest\u00e3o de grande complexidade e que envolve profissionais de diferentes \u00e1reas, exigindo uma efetiva atua\u00e7\u00e3o dos mais diversos setores do governo e da sociedade civil (MACHADO et al., 2014). Ainda segundo a autor, a viol\u00eancia acontece independente de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e educativas e n\u00e3o pode mais ser entendida como um assunto privado, mas deve ser tratado no \u00e2mbito p\u00fablico onde o Estado deve assumir a responsabilidade. Profissionais que atendem essa demanda (multiprofissional, interdisciplinar e interinstitucional) devem estar presentes nas organiza\u00e7\u00f5es que combatem a viol\u00eancia como, Delegacias da Mulher, Servi\u00e7os de Assist\u00eancia Social, Conselho Tutelar, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Casas Abrigo, grupo de mulheres, creches, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Patias, Bossio e Dell\u2019aglio (2014), trabalhar na preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u00e9 indispens\u00e1vel, visto que no Brasil a viol\u00eancia \u00e9 hist\u00f3rica e culturalmente banalizada. A dissemina\u00e7\u00e3o do que seja viol\u00eancia e como ela afeta o desenvolvimento de crian\u00e7as, adolescentes e a integridade das fam\u00edlias, \u00e9 essencial, evitando assim a naturaliza\u00e7\u00e3o de tais pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Silva et al. (2007), a preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia psicol\u00f3gica pode ser encarada como uma forma de preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia de um modo geral, n\u00e3o s\u00f3 familiar, mas institucional e social. Campanhas como o \u201cLa\u00e7o Branco\u201d iniciativa de homens contra a viol\u00eancia impetrada a mulher, a\u00e7\u00f5es preventivas como a realiza\u00e7\u00e3o de palestras informativas em escolas de ensino fundamental e m\u00e9dio da rede p\u00fablica bem como nas universidades, sobre os direitos das v\u00edtimas e redes de apoio existentes, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es important\u00edssimas no combate a viol\u00eancia dom\u00e9stica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que defendem os direitos das mulheres, tais como a Lei Maria da Penha (Lei n\u00b0 11.340 de 07 de agosto de 2006) contribuiu para o aumento das den\u00fancias e apreens\u00e3o dos agressores. A viol\u00eancia contra mulher deixou ser normal e passou a ser crime (LEITE; NORONHA, 2015).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia psicol\u00f3gica \u00e9 um fen\u00f4meno de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o, especialmente pela v\u00edtima n\u00e3o ter consci\u00eancia das agress\u00f5es que sofre de forma t\u00e3o sutil e gradual, e tamb\u00e9m por atribuir essas atitudes dos parceiros, a outros fen\u00f4menos emocionais vivenciados por eles, como perda do emprego, uso de \u00e1lcool e drogas, morte na fam\u00edlia, entre outros. As ofensas, muitas vezes, veem disfar\u00e7adas em frases como \u201cVoc\u00ea est\u00e1 exagerando\u201d, \u201c N\u00e3o foi isso que eu disse, voc\u00ea est\u00e1 deturpando minha fala\u201d, \u201c Voc\u00ea est\u00e1 ficando louca, s\u00f3 pode\u201d. A mulher v\u00edtima de viol\u00eancia psicol\u00f3gica tem suas a\u00e7\u00f5es e pensamentos desacreditados, isso a faz ficar desesperan\u00e7osa e desanimada. O agressor desqualifica sua v\u00edtima, seus pontos de vista e sentimentos, fazendo com que ela acredite no que o parceiro diz a seu respeito. Essa atitude gera um grande sofrimento a v\u00edtima, podendo causar s\u00e9rios danos \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e ps\u00edquica e contribuir inclusive para o desenvolvimento de transtornos graves.&nbsp; Uma vez que o agressor consegue seu objetivo, ou seja, que a v\u00edtima tenha perdido confian\u00e7a em si mesma e no seu pr\u00f3prio julgamento, ela torna-se cada vez mais dependente desse companheiro, por entender que ele, de fato, est\u00e1 certo. Por conta disso, muito provavelmente ela se manter\u00e1 no relacionamento abusivo. \u00c9 importante ressaltar que o n\u00e3o reconhecimento da viol\u00eancia psicol\u00f3gica como um tipo de viol\u00eancia, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o s\u00f3 para a v\u00edtima, mas para sua fam\u00edlia e amigos. Esse tipo de agress\u00e3o dificulta a den\u00fancia, pois n\u00e3o deixa marcas f\u00edsicas. A viol\u00eancia psicol\u00f3gica \u00e9 apontada como a viol\u00eancia que antecede outros tipos de viol\u00eancia. Alguns fatores contribuem para uma rela\u00e7\u00e3o conjugal violenta como a dificuldade de express\u00e3o emocional, dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, conjugalidade fr\u00e1gil, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do estudo realizado chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o que muitas s\u00e3o as vari\u00e1veis que contribuem para a normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher, uma delas \u00e9 nossa cultura machista, uma sociedade patriarcal que prioriza o poder do homem em detrimento a mulher, ele d\u00e1 as ordens e ela obedece. Tamb\u00e9m identificamos o modelo de rela\u00e7\u00e3o aprendido com as fam\u00edlias de origem, padr\u00e3o transgeracional, onde o pai dava as ordens e a m\u00e3e obedecia sem questionar, a mulher cabia a submiss\u00e3o.&nbsp; Os homens s\u00e3o criados para acreditarem que atitudes violentas s\u00e3o sinais de masculinidade, por\u00e9m essa cultura tamb\u00e9m os prejudica, porque lhes exige uma postura de \u201cmacho\u201d n\u00e3o podendo demostrar seus sentimentos ou falhas, t\u00e3o pouco chorar, essa posi\u00e7\u00e3o, por vezes, incentiva a pr\u00e1tica de atos violentos contra as companheiras. Esses atos violentos praticados contra mulher no \u00e2mbito dom\u00e9stico, afeta toda fam\u00edlia, \u00e9 no ambiente familiar que aprendemos os pap\u00e9is sociais e passamos por processos de constru\u00e7\u00e3o de modelos, assim, crian\u00e7as que presenciam viol\u00eancia em casa, aprendem que esse \u00e9 o melhor jeito de resolver os problemas. Concluiu-se com esse estudo que filhos de mulheres que sofrem viol\u00eancia, mesmo que n\u00e3o sejam v\u00edtimas diretas de agress\u00e3o, tem preju\u00edzo no seu desenvolvimento cognitivo, psicol\u00f3gico\/emocional e social, podendo naturalizar a atitude violenta nas rela\u00e7\u00f5es familiares, e assim, vir a repetir tais comportamentos com seus c\u00f4njuges e filhos na vida adulta. \u00c9 importante que haja um trabalho educativo direcionado, n\u00e3o s\u00f3 aos agressores e as v\u00edtimas, mas as crian\u00e7as, plantando a semente da n\u00e3o viol\u00eancia, com intuito de desconstruir a cultura do machismo e da desigualdade de g\u00eanero em busca da supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia intrafamiliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma reflex\u00e3o importante e se fazer \u00e9, porque a viol\u00eancia psicol\u00f3gica n\u00e3o tem o devido reconhecimento e aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 que produz marcas profundas nas mulheres que sofrem com repetidas agress\u00f5es?&nbsp; Devemos pensar na viol\u00eancia psicol\u00f3gica como um problema de sa\u00fade p\u00fablica, que traz efeitos devastadores a sa\u00fade das v\u00edtimas. \u00c9 necess\u00e1rio capacitar profissionais que trabalham na \u00e1rea da sa\u00fade da fam\u00edlia para que tenham uma a\u00e7\u00e3o mais efetiva em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia intrafamiliar, entre eles os profissionais psic\u00f3logos para que saibam identificar os sinais do abuso e possam orientar as mulheres que sofrem com a viol\u00eancia velada. Aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de prote\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social cabe o fortalecimento ao combate e a preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia estruturando redes de servi\u00e7os intersetoriais que ajudem a eliminar esse fen\u00f4meno.&nbsp; Locais de fala que fa\u00e7am um trabalho de elucida\u00e7\u00e3o do que \u00e9 violento, mas n\u00e3o \u00e9 visto como tal, tamb\u00e9m \u00e9 essencial. Cabe salientar a relev\u00e2ncia de propor estudos nessa \u00e1rea visando elucidar o fen\u00f4meno. Voltar o olhar para a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 tornar vis\u00edvel o invis\u00edvel, no esfor\u00e7o de romper e desnaturalizar a hist\u00f3ria de viol\u00eancia no contexto familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como limita\u00e7\u00e3o no decorrer do trabalho, apontamos a pouca produ\u00e7\u00e3o encontrada sobre viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica especificamente e o fato da pesquisa ter sido efetuada somente em bases de dados nacionais, excluindo assim outros resultados sobre o que se tem pesquisado referente a tem\u00e1tica em outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BAGGENSTOSS, Grazielly Alessandra (Org.) et al. <strong>Estudos e pr\u00e1ticas sobre viol\u00eancias dom\u00e9sticas e familiares.<\/strong> Florian\u00f3polis: Editora Centro de Estudos Jur\u00eddicos (CEJUR), 2019. 314 p. (N\u00e3o h\u00e1 lugar seguro, v.1). Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"https:\/\/www.tjsc.jus.br\/documents\/715064\/0\/E-book+livro+1\/ee5eb8a9-c7e2-dced-af6b-1bfd72ac409e\">https:\/\/www.tjsc.jus.br\/documents\/715064\/0\/E-book+livro+1\/ee5eb8a9-c7e2-dced-af6b-1bfd72ac409e<\/a>&gt; Acesso em 25 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <strong>Lei n\u00b0 11.340 de 07 de agosto de 2006<\/strong>. Cria mecanismos para coibir a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, nos termos do \u00a7 8\u00ba do art. 226 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o contra as Mulheres e da Conven\u00e7\u00e3o Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol\u00eancia contra a Mulher; disp\u00f5e sobre a cria\u00e7\u00e3o dos Juizados de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher; altera o C\u00f3digo de Processo Penal, o C\u00f3digo Penal e a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal; e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Bras\u00edlia: Congresso Nacional, 2006. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm<\/a>&gt; Acesso em: 09 jun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>CASIQUE, Leticia Casique; FUREGATTO, Antonia Regina Ferreira. Viol\u00eancia contra mulheres: reflex\u00f5es te\u00f3ricas. <strong>Revista Latina-Americana de Enfermagem<\/strong>, v.14, n. 6, nov.\/dez. 2006. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0104-11692006000600018&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=pt\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0104-11692006000600018&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=pt<\/a>&gt; Acesso em: 18 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>COLOSSI, Patr\u00edcia Manozzo; FALCKE, Denise. Gritos do sil\u00eancio: a viol\u00eancia psicol\u00f3gica no casal. <strong>Psico<\/strong>, v. 44, n. 3, p. 310-318, jul.\/set. 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/ojs\/index.php\/revistapsico\/article\/viewFile\/11032\/10404\">http:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/ojs\/index.php\/revistapsico\/article\/viewFile\/11032\/10404<\/a>&gt; Acesso em: 14 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>GREGORI, M. F. <strong>Cenas e queixas<\/strong>: um estudo sobre mulheres, rela\u00e7\u00f5es violentas e a pr\u00e1tica feminista. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>LEITE, R. M.; NORONHA, R. M. L. A viol\u00eancia contra a mulher: heran\u00e7a hist\u00f3rica e reflexo das influ\u00eancias culturais e religiosas. <strong>Revista Direito &amp; Dialogicidade<\/strong>, Crato, v.6, n.1, jan.\/jun. 2015. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/periodicos.urca.br\/ojs\/index.php\/DirDialog\/article\/view\/959\">http:\/\/periodicos.urca.br\/ojs\/index.php\/DirDialog\/article\/view\/959<\/a>&gt; Acesso em: 09 jun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>MACHADO, Juliana Costa et al. Viol\u00eancia intrafamiliar e a estrat\u00e9gia de atua\u00e7\u00e3o da equipe de sa\u00fade da fam\u00edlia. <strong>Sa\u00fade e Sociedade<\/strong>, v.23, n.3, p. 828-840, 2014. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/www.scielosp.org\/article\/sausoc\/2014.v23n3\/828-840\/pt\/\">https:\/\/www.scielosp.org\/article\/sausoc\/2014.v23n3\/828-840\/pt\/<\/a>&gt; Acesso em: 23 mar. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>MINAYO, Maria Cec\u00edlia de Souza. <strong>Viol\u00eancia e Sa\u00fade<\/strong>. Rio de Janeiro: Ed. FIOCRUZ, 2006. 132p. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"https:\/\/static.scielo.org\/scielobooks\/y9sxc\/pdf\/minayo-9788575413807.pdf\">https:\/\/static.scielo.org\/scielobooks\/y9sxc\/pdf\/minayo-9788575413807.pdf<\/a>&gt; Acesso em: 25 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>MOREIRA, Virginia; BORIS, Georges Daniel Janja Bloc; VEN\u00c2NCIO, Nadja. O estigma da viol\u00eancia sofrida por mulheres na rela\u00e7\u00e3o com seus parceiros \u00edntimos. <strong>Psicologia &amp; Sociedade<\/strong>, v. 23, n. 2, maio\/jun. 2011. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-71822011000200021\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-71822011000200021<\/a>&gt; Acesso em: 22 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>ORGANIZA\u00c7\u00c3O MUNDIAL DE SA\u00daDE. <strong>Relat\u00f3rio<\/strong><strong>Mundial sobre Viol\u00eancia e Sa\u00fade<\/strong>. Genebra, 2002. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/14142032-relatorio-mundial-sobre-violencia-e-saude.pdf\">http:\/\/portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/14142032-relatorio-mundial-sobre-violencia-e-saude.pdf<\/a>&gt; Acesso em: 25 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>PATIAS, Naiana Dapieve; BOSSI, Tatiele Jacques; DELL\u2019AGLIO, D\u00e9bora Dalbosco<strong>. <\/strong>Repercuss\u00f5es da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia conjugal nas caracter\u00edsticas emocionais dos filhos: revis\u00e3o sistem\u00e1tica da literatura. <strong>Temas em Psicologia<\/strong>, v. 22, n. 4, p. 901-915. 2014. Dispon\u00edvel em:&lt;<a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-389X2014000400017\">http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-389X2014000400017<\/a>&gt; Acesso em: 25 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>PINAFI, Tania. 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Viol\u00eancia silenciosa: viol\u00eancia psicol\u00f3gica como condi\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia f\u00edsica dom\u00e9stica. <strong>Interface \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. v.11, n.21, p.93-103, jan.\/abr. 2007. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1414-32832007000100009\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1414-32832007000100009<\/a>&gt; Acesso em: 16 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, Sergio Gomes da.&nbsp; Preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o: as bases da viol\u00eancia contra a mulher. <strong>Rev. Psicologia: Ci\u00eancia e Profiss\u00e3o<\/strong>, v. 30, n. 3, p. 556-571, set. 2010. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1414-98932010000300009\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1414-98932010000300009<\/a>&gt; Acesso em: 15 abr. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>VIANA, Rayane de Oliveira et al. Viol\u00eancia contra a mulher no contexto familiar nuclear: os reflexos da viol\u00eancia dom\u00e9stica sobre os filhos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 16., 2019, Bras\u00edlia (DF). <strong><em>Anais<\/em>&#8230;<\/strong>Bras\u00edlia (DF): Conselho Federal de Servi\u00e7o Social, 2019. p. 1-13. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/broseguini.bonino.com.br\/ojs\/index.php\/CBAS\/article\/view\/1910\/1864\">http:\/\/broseguini.bonino.com.br\/ojs\/index.php\/CBAS\/article\/view\/1910\/1864<\/a>&gt; Acesso em: 25 abr. 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESUMO Pretende-se nesse trabalho abordar a viol\u00eancia psicol\u00f3gica dom\u00e9stica sofrida pela mulher, nos relacionamentos afetivos heterossexuais e como esse cen\u00e1rio influencia no <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":889,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/872"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=872"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/872\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":874,"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/872\/revisions\/874"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clinicafogacaflorianopolis.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}